Comunicação Não Violenta resgata a humanidade que habita em você

Postado por Ana Paula
22:45 - 18/05/2019

Você já ouviu falar de Comunicação Não Violenta? Esse conceito foi criado pelo psicólogo Marshall Rosenberg e nada mais é do que uma forma de se comunicar capaz de estimular a compaixão e a empatia, coisa rara nos dias de hoje.


Seja pessoalmente ou pela internet, o que se vê com frequência são pessoas agressivas que falam alto, abusam da ironia, interrompem os outros enquanto se exprimem, desgastam psicologicamente as pessoas que o rodeiam, procuram valorizar-se à custa dos outros, tocam as feridas alheias sem dó nem piedade. Quando estão numa posição dominante, essas pessoas tendem a ser autoritárias, frias, intolerantes. Numa posição subordinada, são aqueles contestadores sistemáticos, hostis, rebeldes sem causa.


Quantos casos acompanhamos no dia a dia em casa, no Banco, nas redes sociais? Donos da verdade e juízes implacáveis sempre lá acusando, expondo, impondo. O problema não está no conteúdo, mas na forma. E muita gente passa a vida inteira se comunicando assim sem se dar conta. Trata-se de uma linguagem habitual, enraizada a partir de uma formação moral que busca dominar e convencer. E não se conectar e se relacionar. Por consequência, acabam não estabelecendo relações significativas e íntimas e colecionam ressentimentos, raiva e frustração.

 

Mas ninguém nasce com essas estratégias violentas. Elas são aprendidas, ensinadas e apoiadas. E pode ter certeza de que não sente prazer quem está em constante atrito com os outros. No fundo, por trás destes comportamentos, há uma dor muito grande que a pessoa tenta mascarar.

 

Então, se você está disposto a mudar a sua forma de comunicação, comece avaliando as suas ações e reações. Tomar consciência das emoções que geram desconforto e das necessidades secretas que não estão sendo atendidas é o primeiro passo.

 

Em seguida, firme um acordo que viabilize a convivência futura. Veja se você consegue acolher as necessidades do outro, exercitar a capacidade de se expressar sem julgamentos e parar com essa mania de ouvir as opiniões não para compreendê-las, mas apenas para rebatê-las, como se fosse um duelo sem fim pela falsa sensação de soberania. Mantenha-se compassivo. Permita-se conectar com as pessoas, mesmo em situações críticas. Escolha agir com amor.

 

Ao invés de acusar o outro por atos com os quais você não concorda, que tal dizer como você se sente diante deles? Por exemplo: "Fulano, você é um irresponsável, só chega atrasado nas reuniões". Nesse caso, você poderia dizer: "Fulano, quando você chega atrasado nas reuniões eu me sinto desrespeitado". Ao contrário do julgamento que cria uma reação defensiva e cheia de culpa, o comentário descritivo tem o efeito de aproximar as pessoas porque não taxa alguém num adjetivo. Além disso, dialogar a partir de um sentimento desarma uma contra-reação hostil. Ou seja, não se trata de calar diante de ofensas ou agressões, mas de usar uma comunicação honesta e transparente, focada nos sentimentos, na humanidade.

 

O segundo passo é falar da sua necessidade de forma clara e específica. Fale o que você quer e não aquilo que não quer. No exemplo do colega atrasado, ao invés de dizer: “eu não admito mais que você se atrase!”, por que não falar “é muito importante pra mim que você esteja presente nas reuniões e eu gostaria que nós firmássemos um compromisso de você sempre chegar 5 minutos antes a partir de hoje. Você poderia fazer esse esforço?”.


Usar o princípio da comunicação não violenta é um exercício diário que requer vontade, disposição, desejo de melhorar a si mesmo, paciência, dedicação e envolvimento. Não é uma tarefa fácil, mas resgata o que há de mais genuíno nas pessoas: suas emoções. E o resultado pode ser extraordinário para você e para quem convive ao seu redor, tanto na sua vida pessoal quanto profissional. 

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