A vida começa quando você decide parar de agradar a plateia

Postado por Ana Paula
12:15 - 28/04/2019

Que necessidade é essa que o ser humano tem de fazer parte de um grupo, ser aceito, querido, reconhecido, amado, tornar-se referência, unanimidade? Pode ser uma questão de vaidade, um jogo exibicionista inconsciente ou uma crença irracional de que precisa servir a todos os senhores para ser aceito e feliz, mesmo sabendo que isso é impossível.

 

Querer agradar quem a gente ama é muito bom, traz felicidade e bem estar, mas querer agradar a gregos e troianos é criar expectativas demais, não acha? Desse jeito, o ato deixa de ser espontâneo e vira uma obrigação que, com o tempo, escraviza. E se o ato de agradar estiver associado à necessidade da troca, aí pior ainda porque não tem reciprocidade gera frustração e ressentimento. Essa necessidade nos torna subnutridos de amor, carentes de atenção, carentes de gente.

 

Quantas vezes você deixa de dizer NÃO quando gostaria, abdica de suas opiniões e afasta-se da sua essência? Algo que deveria ser prazeroso se torna um peso. E muita gente carrega esse fardo, tornando-se inseguras, ansiosas e dependentes emocionalmente. Segundo a Organização Mundial de Saúde, até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. Em larga medida, você concorda que isso decorre do modo totalmente degradante e padronizado que temos levado as nossas vidas?

 

É como se todos os dias as pessoas vestissem uma máscara para cumprir o papel de um personagem. Quantas vezes você pintou a cara de palhaço quando, por dentro, estava destruído? E quantas vezes deixou de agir de determinada maneira para não parecer ridículo ou inadequado para os padrões? E quantas outras vezes teve que fazer escolhas infelizes porque foi incapaz de retrucar?

 

Durante o  espetáculo, a plateia aplaude, reverencia e você se enche de orgulho da sua capacidade teatral. Mas quando tudo acaba, as cortinas se fecham, os holofotes se apagam, sua cabeça tomba no travesseiro e você não se reconhece. O peito é tomado por um vazio existencial.

 

Será que o cenário exuberante que você cria da sua própria vida, seja real ou virtual, não esconde a sua falta de protagonismo? Vale a pena pagar esse preço?  De que adianta agradar a plateia e da porta para dentro estar destroçado?

 

Saramago falava que a vida é assim: uma hora se está, outra hora não se está. A vida é um sopro, de fato! E é realmente triste vê-la passar sem que estejamos presentes de verdade. Charles Bukowski, um dos nomes mais polêmicos e também mais amados da literatura norte-americana, dizia que quando você esconde as coisas acaba sendo sufocado por elas”.

 

Apresente-se diante das pessoas como você realmente é — com suas qualidades e limitações. Quando encontramos uma maneira genuína de nos agradar juntos, descobrimos que não é perigoso a gente ser feliz.

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