Líderes também falham

Postado por Ana Paula
23:24 - 06/04/2019

Ser promovido a gestor, ter uma equipe, chegar no topo da carreira são conquistas extraordinárias. Mas não sejamos românticos... a liderança traz bônus, mas também ônus. O fato de alcançar um nível mais elevado no seu Banco requer de você uma atitude diferente. Seu papel agora é saber delegar, pensar estrategicamente, inspirar e engajar, tomar decisões, estabelecer prioridades e elevar as competências da sua equipe para que, juntos, possam fazer as entregas que o Banco precisa. Seu foco deve ser em fazer as coisas acontecerem. Parece simples falando assim. Mas na vida real, os desafios são enormes. Antes, o resultado dependia só de você. Agora, você não faz nada sozinho. Qual empresa ensina o caminho das pedras?


De acordo com um estudo recente do Center for Creative Leadership, cerca de 40% dos novos líderes falham em seus primeiros 18 meses na função, e um percentual ainda maior não consegue viver de acordo com as expectativas de quem os contratou ou promoveu. Parte desse fenômeno pode ser explicada por processos de seleção ineficientes e pela ausência de acompanhamento e suporte.

 

Muitos gestores chegaram lá – e você que está me ouvindo agora pode ser um deles - porque se destacaram em alguma área específica... geralmente porque tinham um currículo mais robusto ou porque vendiam mais e cumpriam as metas, por exemplo. Mas, será que isso é suficiente? A resposta é NÃO. Ser líder requer uma habilidade especial: gerir pessoas. E é aí que muitos falham.

 

As empresas geralmente não têm um plano adequado de desenvolvimento ou uma mentoria que os oriente sobre os comportamentos que realmente importam e devem ser transformados. E assim são jogados na cova dos leões, cobrados energicamente por resultados. Só por isso, sejamos mais empáticos com nossos líderes. Ao invés de alardear suas falhas, reclamar pelos corredores e xingar as gerações do colega, que tal ter uma conversa franca, um feedback assertivo e ajudá-lo nessa jornada de crescimento?

 

Aos líderes, por outro lado, um alerta importante: não pensem que lealdade está associada ao frequente “SIM SENHOR”. Liderados que trazem questões para reflexão, que te abrem os olhos para o controverso... esses são de ouro. Não os desperdice! Se você quer deixar uma marca, um legado... se quer ser um exemplo para sua equipe, deve ter humildade para entender que sua função é servir, não manipular as pessoas; deve compreender que não basta saber, mas fazer o que sabe; deve ser capaz de aumentar a eficiência dos outros e preparar seus sucessores, sem medo de perder sua posição; deve ter imaginação e criatividade para enfrentar os problemas e pensar em soluções diferentes; deve ter inteligência para lidar com suas emoções e as dos outros; e deve ser justo e coerente.

 

Conquistar tudo isso é maravilhoso, dá sentido ao seu trabalho. Mas, também não se cobre a ponto de querer ser infalível porque você continua sendo um ser humano. Assumir riscos e, eventualmente falhar, é da natureza da liderança. Um líder eficaz aprende com o fracasso e avança. Sabe que não existe receita de sucesso porque as pessoas são diferentes, têm necessidades diferentes e se motivam ou se afastam por motivos diferentes.

 

É um exercício diário de escuta ativa, sem julgamentos. Se você se sente inapto para o desafio, se sabe que não tem perfil, se a liderança é um fardo pra você, já pensou na possibilidade de voltar a ocupar sua função original e ser o melhor no que fazia? O conceito de sucesso é muito pessoal e você deve saber o seu caminho. Agora, se o seu desejo realmente é ser ou se manter líder, comece a avaliar onde está falhando, ouça seus liderados, conheça o perfil de cada um, comprometa-se com o seu crescimento, deseje ser o melhor líder que você pode ser para o seu time. Não tenha dúvidas de que, assim, você construirá a ponte para um futuro brilhante. E mais: deixará sua marca não apenas nos resultados, mas nos corações das pessoas. E isso não tem preço!

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